Diversas organizações sociais estão organizando uma campanha contra o uso do "Caveirão" pela Polícia Militar do Rio de janeiro. "Caveirão" é o nome de veículos blindados e fortemente armados que entram nas favelas e áreas pobres da cidade com o intuito de "combater o tráfico de drogas". Mas, de acordo com os moradores e moradoras e os organizadores da campanha, "os métodos de ação do Caveirão são para implantar o medo, não para garantir segurança". Os policiais dentro do Caveirão podem efetuar disparos e intimidar a população sem serem identificados, além de relatos de que os alto-falantes do veículo assustam e ofendem os moradores e moradoras das favelas. Há relatos, inclusive, de que o Caveirão desfila pelas comunidades com corpos de jovens assassinados presos nos ganchos do veículo.
A discussão entre os formuladores de política de segurança pública chega ao ponto de que o Caveirão é ainda muito "civil" para áreas cada vez mais "militarizadas" (leia mais aqui). Para os organizadores da campanha contra o Caveirão, o argumento vai justamente pela contramão: "Aceitar o uso do Caveirão é aceitar o discurso de que as comunidades vivem uma 'situação de guerra'. Esse argumento é a principal desculpa utilizada pelo governo e pela polícia para justificar as execuções sumárias, tiroteios indiscriminados e outros abusos cometidos por forças policiais nas favelas e comunidades pobres." Nas últimas semanas, mais de R$7 milhões foram gastos em duas aeronaves pelo Ministério da Justiça e pelo governo do Estado para fortalecer a Polícia Militar do Rio de Janeiro.
No dia 13/03, segunda-feira, aconteceu no Rio de Janeiro o lançamento da campanha contra o Caveirão. Das 15h até às 19h, no centro da cidade, os organizadores da campanha, entre moradores/as das favelas e militantes de movimentos sociais, colheram assinaturas, divulgaram a campanha, deram seus depoimentos, além do hiphop e da percussão no meio da Cinelândia. Durante toda a tarde, policiais acompanharam de perto a manifestação, mas sem importuná-la; ainda assim, um policial disfarçado filmou o ato durante parte da tarde. A campanha também foi lançada, simultaneamente, na Europa, pela Anistia Internacional.
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Nos próximos três meses, a campanha promoverá discussões nas comunidades, escolas, sindicatos, e onde mais for possível, sobre política de segurança pública, denunciando esta que promove ainda mais exclusão social e fere a dignidade dos que moram em favelas e propondo uma que respeite os direitos humanos e que não seja contra os mais pobres, mas sim que garanta suas vidas. Uma audiência foi solicitada junto a gorvernadora do Rio de Janeiro Rosângela Rosinha Garotinho Barros Assed Matheus de Oliveira - PMDB),para discutir o assunto. Além disso, ela receberá milhares de cartões postais, de diversos lugares do mundo, protestando contra a violência policial e especialmente o uso do caveirão.